Código de Ética
Edição 1.0, Fevereiro 2026
Este Código define princípios e regras de conduta para atividades do LoftTrilhos, incluindo formações, workshops, sessões de grupo e sessões individuais no âmbito do trabalho sistémico. Este documento não substitui normas legais, regulamentação profissional aplicável, nem cuidados clínicos.
1. Princípios éticos
Dignidade, autonomia e consentimento
Respeita-se a autodeterminação. A participação é voluntária e depende de consentimento informado, podendo ser interrompida a qualquer momento.Segurança e não maleficência
Prioriza-se segurança física, emocional e relacional. Ajusta-se ritmo e intensidade às condições do cliente e do grupo.Integridade e responsabilização
Intervém-se com honestidade, clareza e responsabilidade. Não se fazem promessas de resultado nem se induz dependência.Confidencialidade e privacidade
Protege-se informação partilhada e a identidade.Equidade, inclusão e respeito pela diversidade
Promove-se um ambiente inclusivo e culturalmente sensível.Competência e limites
Intervém-se apenas dentro do âmbito de competências. Procura-se formação contínua, supervisão e encaminhamento clínico quando necessário.Uso responsável do poder e limites relacionais
Na facilitação, mantêm-se limites claros e evita-se qualquer forma de pressão, manipulação ou envolvimento que comprometa a integridade do processo.
2. Regras para todas as pessoas participantes (inclui facilitadores)
Voluntariedade: qualquer pessoa pode: recusar representar, pedir pausa, recuar ou sair, sem necessidade de justificar.
Sobriedade: não existe participação sob intoxicação por álcool ou substâncias.
Respeito e não julgamento: evita-se culpabilização, ataques pessoais e exposição de terceiros.
Confidencialidade: não se partilham histórias, nomes, detalhes identificáveis, nem conteúdos do grupo fora do espaço, sem consentimento explícito.
3. Regras específicas para facilitadores e equipa LoftTrilhos
Enquadramento e consentimento informado
Explicita-se o método, limites, possibilidades de pausa, encerramento sem conclusão, e de-role. Clarifica-se que o processo não substitui psicoterapia, psiquiatria ou medicina.
Condução com mínima intervenção necessária
Privilegiam-se perguntas breves e intervenções proporcionais, sustentadas por observação do que ocorre no corpo e na relação.Critérios de segurança para iniciar, pausar ou interromper
O facilitador sustenta um enquadramento de segurança e previsibilidade e faz pausa ou encerra o trabalho quando surgem sinais claros de activação intensa, desorganização, colapso, dissociação significativa ou perda de consentimento interno. A prioridade é a estabilidade e segurança, quando adequado, procede-se a encaminhamento para apoio especializado.Encaminhamento e colaboração interdisciplinar
Quando o tema excede o âmbito, recomenda-se apoio especializado e cooperação com profissionais adequados, com consentimento do cliente.Comunicação pública
Em meios tradicionais e redes sociais, sem exposição de casos identificáveis, promessas de cura, manipulação e linguagem de autoridade absoluta. Mantém-se rigor na atribuição de autoria e fontes.
4. Regras específicas para clientes e representantes
Autorresponsabilidade e autocuidado
Cada pessoa sinaliza limites, necessidades e solicita pausas. Recomenda-se integração pós-sessão (sono, alimentação, descanso, suporte social).Representação e comunicação
Relatam-se sensações de forma breve, concreta e sem interpretação narrativa excessiva.
5. Dados pessoais, imagem e RGPD
Finalidade e minimização: recolhe-se apenas o necessário.
Consentimento explícito: registos de imagem/áudio, testemunhos e partilhas públicas exigem consentimento específico e revogável.
Proteção e acesso: salvaguarda-se armazenamento, acesso e eliminação, em conformidade com RGPD.
6. Boas práticas de investigação, avaliação e publicações
Esta secção aplica-se a questionários, entrevistas, estudos de caso, recolha de testemunhos, relatórios de avaliação, ou qualquer divulgação com dados.
Consentimento para recolha e uso de dados
Explicita-se finalidade, procedimentos, riscos, benefícios, duração e destino dos dados. O consentimento é livre e revogável.Confidencialidade e anonimização
Sempre que existam dados de avaliação/investigação, usa-se anonimização ou pseudonimização e evita-se qualquer detalhe identificável.Não coerção e ausência de penalização
A participação em avaliação/investigação não condiciona acesso às atividades e não implica penalizações.Rigor e honestidade
Reportam-se métodos e resultados com precisão, sem omissão selectiva ou exagero de efeitos. Rejeita-se plágio e assegura-se atribuição correta de autoria e fontes.Conflitos de interesse
Quando existirem ligações pessoais, financeiras ou institucionais que possam influenciar a facilitação ou a decisão do cliente, estas são comunicadas de forma clara e atempada, para garantir transparência e permitir que se definam limites adequados ou, se necessário, encaminhamento para outro profissional.
7. Revisão
Este Código é revisto periodicamente, com base em feedback, supervisão, experiência prática e alterações legais.
Pertencer
Todos tem o mesmo direito de pertencer, excluir alguém traz consequências dolorosas para o sistema.
Equilíbrio
O dar e o receber deve ser recíproco, caso contrário o fluxo é interrompido. Tudo deverá seguir um ciclo harmonioso entre o dar e o receber.
Hierarquia
Hierarquia, somos mais velhos que os nossos filhos e mais novos que nossos pais e assim em diante. Parece óbvio, no entanto a quebra deste fluxo resulta num profundo conflito.
De acordo com Hellinger, quem nasceu primeiro deve proteger e ensinar quem veio depois, e estes devem respeito e humildade a quem chegou antes.
Quando quebrada esta ordem, conflitos, discussões tomam conta da família. Cada um deve ocupar o seu lugar e se ater aos princípios dela.